CRÔNICA- O TEMPO ENTRE SILÊNCIOS E GRITOS

CRÔNICA- O TEMPO ENTRE SILÊNCIOS E GRITOS 

Outro dia, sentei para conversar com o tempo. Queria entender por que ele corre tão depressa quando estou feliz e se arrasta quando a saudade pesa. Ele, sempre metido a poeta, me respondeu com um sorriso torto: “É que sou feito de instantes, e cada um me sente de um jeito.”

Fiquei pensando nisso enquanto via uma senhora na praça segurando as mãos enrugadas, talvez contando as histórias que já não cabem na memória. Ou no menino que esperava ansioso pelo sorvete que derretia antes mesmo da primeira lambida. O tempo ali, silencioso, observando tudo, sem pressa, sem avisar que, de repente, vai nos roubar momentos sem devolução.


Vivemos tentando domá-lo. Queremos adiantá-lo nas dores, segurá-lo nos amores e congelá-lo nos dias em que tudo faz sentido. Mas ele escapa, se esconde nos detalhes que ignoramos, nos abraços que deixamos para depois, nos sorrisos que não percebemos serem os últimos.

Então, talvez, a única forma de driblar esse tempo danado seja viver de verdade. Parar de esperar o momento perfeito e fazer do agora um instante que valha a pena. Porque, no fim, o tempo não é o que passa. Ele é o que fica.

E o que tem ficado em você?

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