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Confissões Entre Silêncios capítulo 26

Confissões Entre Silêncios 15 de junho de 2025 – domingo, noite de culto, alma rendida em silêncio Hoje fui ao culto. Com o coração calado, os passos firmes e o véu dobrado como quem leva consigo mais do que um tecido: levei minha história, minha dor, minha vontade de continuar. Cheguei cedo. A congregação ainda estava meio vazia, mas o ambiente já transbordava paz. Sentei num banco mais ao fundo, como quem ainda não sabe se pertence, mas deseja muito permanecer. A irmã Liane chegou pouco depois. Cumprimentou com o olhar, ajeitou o banco do órgão com a calma de quem sabe que está ali a serviço de algo maior. E quando ela começou a tocar… Foi como se cada nota abrisse uma fresta dentro de mim. Me senti acolhida. Me senti ouvida, mesmo sem ter dito palavra. O culto foi simples. Nenhuma profecia, nenhum acontecimento extraordinário. Mas houve Palavra. Palavra certa. Daquelas que não precisam de grito nem de gesto pra atravessar. Falava sobre o tempo de Deus. Sobre a espera. Sobre o cuidad...

Confissões Entre Silêncios capítulo 20

Confissões Entre Silêncios 9 de junho de 2025 – segunda-feira, manhã cinza, mas com raízes firmes Mesmo com tudo que Deus tem feito em mim, mesmo com os sorrisos tímidos que voltaram, mesmo com a paz que senti no culto de ontem, eu ainda estou em terapia. E não é contradição. É cuidado. É entender que fé e saúde mental não se anulam  se completam. Porque tem coisas que Deus cura no espírito, e outras que Ele cuida através de mãos humanas. Hoje fui à sessão como tenho ido toda semana. Entrei na sala com o coração mais calmo, mas com a alma ainda costurada por dentro. Falei do meu pai. Falei da igreja. Falei do medo de me apegar às coisas boas e perdê-las de novo. Minha terapeuta me escutou como sempre: com acolhimento e silêncio respeitoso. Ela não apaga minha dor. Mas me ajuda a entender como ela se movimenta dentro de mim. E me ensina, com delicadeza, a deixar que ela exista — sem deixar que ela me engula. Falei sobre João. Sobre o quanto ele me ajuda sem me pressionar. Sobre a fo...

Confissões Entre Silêncios capítulo 18

Confissões Entre Silêncios 7 de junho de 2025 – sábado, fim de tarde dourado e cheio de reflexão Depois de ontem, acordei diferente. Como se algo tivesse se reorganizado por dentro. Talvez seja isso que Deus faz quando a gente se entrega: Ele ajeita o que o mundo bagunçou. O aniversário passou como um sopro leve, íntimo, sem exageros. Mas hoje, o que ficou foi o eco da escolha: a escolha de continuar. Sentei na varanda com minha mãe pra tomar café. Ela falou pouco, mas me olhou como quem entende. Como quem também já precisou renascer depois de perder tudo. Pensei em como esse tempo todo venho buscando respostas, mas Deus tem me dado presença. E isso vale mais. Fui à congregação de novo. Sim, pela segunda vez  e dessa vez com menos medo, menos vergonha, mais vontade. Entrei sozinha. João já estava lá, no segundo banco. Ele me viu, sorriu com os olhos e continuou quieto. Do jeito certo. Do jeito que respeita meu tempo. Sentei mais à frente hoje. Abri o hinário. Li cada palavra como q...

Confissões Entre Silêncios capitulo 17

Confissões Entre Silêncios 6 de junho de 2025 – sexta-feira, dia de Liz Hoje é meu aniversário. Vinte e nove voltas completas ao redor do sol… e dessa vez, foi o coração que deu a volta mais difícil de todas. Não teve festa. Não teve bolo cheio de velas. Teve silêncio, oração, lembrança  e uma paz diferente. Do tipo que não vem embrulhada com laço, mas que Deus entrega direto na alma da gente. Acordei cedo. Antes do barulho do mundo. Fiquei olhando o céu, tentando entender como ainda estou aqui depois de tudo. Depois de tantas perdas, tantas feridas, tantos dias em que eu achei que não suportaria o peso de mim. E estou. De pé. Machucada, sim. Mas de pé. Minha mãe me abraçou logo cedo. Foi um abraço longo, doído, cheio de coisas que a gente não sabe dizer em voz alta. Ela tentou sorrir. E eu também. A saudade do meu pai apertou — porque hoje, mais do que nunca, eu queria ouvir ele dizer “parabéns, filha”. Queria aquele olhar orgulhoso que ele tinha mesmo nos dias em que eu achava qu...

Confissões Entre Silêncios capítulo 16

Confissões Entre Silêncios 5 de junho de 2025 – quinta-feira, noite morna, coração em reverência Hoje aconteceu algo que, há semanas, eu não imaginava que teria coragem de viver: voltei à igreja. À Congregação Cristã no Brasil. Não foi uma exigência, nem promessa. Foi desejo. Foi sede. Foi vontade de encontrar Deus em outro lugar além das minhas lágrimas. Tudo começou quando João me convidou, com aquele jeito calmo que ele tem, sem pressão. Disse só: “Se um dia quiser ir, Liz… vai ser bem recebida.” E aquilo ficou martelando em mim. Não era sobre ele. Era sobre mim e sobre algo que eu já sentia há tempos: a necessidade de voltar a escutar Deus não só nas entrelinhas, mas no templo, nos hinos, nas orações baixas, na Palavra. Hoje, depois de tanto pensar, fui. Tremendo. Com medo do julgamento, da vergonha por não ser batizada, por me sentir um pouco fora de lugar. Mas João me esperava no portão. E só o fato dele me olhar com ternura já foi como ouvir “vai em paz”. Entrei devagar, sentei ...