Confissões Entre Silêncios capítulo 20

Confissões Entre Silêncios
9 de junho de 2025 – segunda-feira, manhã cinza, mas com raízes firmes

Mesmo com tudo que Deus tem feito em mim,
mesmo com os sorrisos tímidos que voltaram,
mesmo com a paz que senti no culto de ontem,
eu ainda estou em terapia.

E não é contradição.
É cuidado.
É entender que fé e saúde mental não se anulam  se completam.
Porque tem coisas que Deus cura no espírito,
e outras que Ele cuida através de mãos humanas.

Hoje fui à sessão como tenho ido toda semana.
Entrei na sala com o coração mais calmo,
mas com a alma ainda costurada por dentro.
Falei do meu pai.
Falei da igreja.
Falei do medo de me apegar às coisas boas e perdê-las de novo.

Minha terapeuta me escutou como sempre: com acolhimento e silêncio respeitoso.
Ela não apaga minha dor.
Mas me ajuda a entender como ela se movimenta dentro de mim.
E me ensina, com delicadeza, a deixar que ela exista — sem deixar que ela me engula.

Falei sobre João.
Sobre o quanto ele me ajuda sem me pressionar.
Sobre a forma como ele só está — e isso basta.

Falei também sobre Deus.
Sobre como estou voltando, devagar, para os braços d’Ele.
E percebi que, pela primeira vez, falei de fé na terapia sem me desculpar.
Sem medo de parecer fraca.
Porque fé não é fuga.
É força.
E eu estou aprendendo a viver com as duas:
com a fé que me sustenta
e com o cuidado profissional que me estrutura.

No fim da sessão, anotei no caderno:
"É possível ter Deus no coração e ainda precisar de ajuda.
E tudo bem."

Estou voltando pra mim.
Com passos trêmulos, sim.
Mas com a certeza de que estou sendo guiada 
pela mão de Deus e pelo processo que Ele permitiu.

Liz

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