Confissões Entre Silêncios capítulo 06
Confissões Entre Silêncios
19 de maio de 2025 – segunda-feira, céu parado, sem pressa de passar
Hoje amanheci com o rosto colado no travesseiro e o coração num lugar que nem sei nomear.
Dormi mal.
Sonhei com ele.
No sonho, ele me olhava firme e dizia “não se entrega, Liz”.
Acordei com o peito rasgado, como se o sonho tivesse sido mais real que tudo o resto.
A casa continua cheia de ausências.
Tudo que era comum agora parece estranho.
Até os barulhos mudaram.
O relógio parece mais alto.
As vozes parecem mais distantes.
O tempo, mais pesado.
Minha mãe hoje ficou sentada por horas na varanda, olhando pro nada.
Não disse uma palavra.
E eu respeitei.
Porque às vezes, o que a gente mais precisa é de alguém que fique em silêncio com a gente.
Estive ali, ao lado dela, só respirando.
É estranho como o mundo lá fora continua.
Gente rindo na rua, carro passando, crianças correndo.
E aqui dentro, tudo parou.
Parou com ele.
Parou no dia 14.
Fui até o quarto dele.
Sentei na cama que ainda tem o cheiro dele.
E pela primeira vez, em meio ao choro, eu sorri.
Porque lembrei dele me chamando de “minha menina teimosa”
quando eu dizia que queria mudar o mundo com palavras.
E é isso que estou tentando.
Ficar de pé.
Mesmo em pedaços.
Mesmo com o peito aberto.
Escrevendo, eu respiro.
Escrevendo, eu fico.
Escrevendo, eu cuido do que sobrou de mim.
Hoje ainda é segunda.
E eu ainda estou aqui.
Liz
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