Confissões Entre Silêncios capítulo 23
Confissões Entre Silêncios
12 de junho de 2025 – quinta-feira, Dia dos Namorados, mas o que floresceu hoje foi amor-próprio
Hoje foi Dia dos Namorados.
As vitrines estavam cheias de corações, frases prontas e presentes embrulhadas em papel metálico.
E, por um instante, me senti deslocada.
Sozinha.
Vazia.
Mas foi só por um instante.
Depois veio a verdade — serena, firme, como a brisa que entra pela fresta da porta quando a casa está em silêncio:
eu tenho aprendido a me amar.
E isso, pra mim, vale mais do que qualquer presente com laço.
Não recebi flores.
Não fui a nenhum jantar.
Mas caminhei comigo mesma.
Fui à feira, comprei manga verde com sal e rabisquei um poema no verso de um caderno antigo.
No meio da tarde, Teresa passou aqui.
Não tocou no assunto da data.
Ela só trouxe um pedaço de bolo de fubá e disse:
“Tá quente, cuidado pra não queimar a língua.”
Sentei com ela no batente da cozinha e conversamos sobre coisas da vida:
plantas, contas, chuva e saudade.
E foi aí que percebi
existe amor onde há cuidado.
E eu tenho sido cuidada.
Por Deus, pelas pessoas que ficaram, por mim.
Antes, eu achava que precisava de um amor pra me sentir inteira.
Hoje, estou descobrindo que o amor que salva primeiro é aquele que a gente aprende a cultivar dentro.
O amor que não exige aprovação.
O amor que perdoa nossas falhas.
O amor que aceita o processo.
Ainda estou em construção.
Ainda tenho recaídas, inseguranças, dias em que o espelho pesa.
Mas hoje, neste 12 de junho, celebro o amor que me tem sustentado desde que o mundo virou ao avesso:
o amor de Deus.
Que não falha.
Que não vai embora.
Que não precisa de datas pra se mostrar presente.
E sei, com a mesma fé que me mantém viva,
que um dia Deus proverá alguém que me ame na minha inteireza e nas minhas cicatrizes.
Alguém que não venha para preencher um vazio,
mas para caminhar ao lado como resposta e não como muleta.
Enquanto isso, sigo me cuidando, me conhecendo, me preparando.
Termino o dia com um chá quente, um diário preenchido e um coração mais leve.
Não por ter alguém ao meu lado,
mas por estar, enfim, ao lado de mim mesma.
Liz
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