Confissões Entre Silêncios capítulo 14
Confissões Entre Silêncios
2 de junho de 2025 – segunda-feira, céu cinza, mas coração aquecido
Hoje o céu amanheceu fechado, mas dentro de mim algo segue iluminado.
Talvez seja Deus abrindo clareiras por dentro.
Ou talvez seja essa paz que vem quando a gente para de lutar contra a dor e aprende a caminhar com ela, sem deixar que ela conduza.
Voltei à universidade.
Entrei em sala devagar, com passos firmes e o coração batendo mais forte que o normal.
Não por medo mas por reverência à Liz que sobreviveu.
A Liz que quase não veio.
A Liz que agora está aqui.
As colegas me abraçaram com delicadeza, como se soubessem que ainda há feridas em carne viva.
E eu senti: estou cercada de amor, mesmo nos lugares que antes me pareciam distantes.
Sentei, abri meu caderno e, pela primeira vez desde aquele dia, consegui prestar atenção na aula inteira.
Tomei nota, sublinhei palavras, sorri com a professora.
Parecia um gesto simples.
Mas foi vitória.
Na volta pra casa, caminhei devagar.
Passei pela pracinha onde brincava quando era criança.
Vi duas meninas jogando amarelinha e me deu vontade de rir.
A infância tem esse poder de curar sem precisar dizer nada.
Quando cheguei, minha mãe estava ouvindo hinos no rádio.
“Esse aqui teu pai gostava”, ela disse.
Sentamos juntas e ouvimos em silêncio.
Foi um louvor sobre recomeço.
Sobre quando Deus reconstrói o que a vida quebrou.
E eu chorei de novo — mas agora de alívio.
João passou no início da noite.
Dessa vez trouxe papel e envelope.
“Pra você escrever algo que não quer postar, mas precisa sair de você”, ele disse.
Guardei.
E entendi.
Nem tudo precisa ser público.
Algumas dores são só nossas e de Deus.
Hoje agradeço.
Pela vida que ficou.
Pela fé que cresceu.
Pela poesia que voltou.
E por esse Deus que nunca me soltou mesmo quando eu já não conseguia segurar.
Liz
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