Confissões Entre Silêncios capítulo 10
Confissões Entre Silêncios
28 de maio de 2025 – quarta-feira, fim de tarde dourado em Campo Novo
Hoje sentei no terreiro e deixei o sol tocar minha pele sem pressa.
Fechei os olhos por alguns minutos e, pela primeira vez em muito tempo, não chorei.
Só respirei.
Só senti.
A dor ainda existe, claro.
Mas está mais quieta agora.
Não grita como antes.
Ela virou parte de mim, como uma cicatriz que ainda arde quando o tempo muda, mas não sangra mais.
Tenho voltado a sorrir.
Sorrisos pequenos, quase ensaiados, mas verdadeiros.
Hoje ri com minha mãe quando ela lembrou de uma história do meu pai aquela vez em que ele queimou o arroz e fingiu que era “arroz defumado ao estilo sertanejo”.
Rimos de chorar.
E choramos rindo.
Mas foi bom. Foi leve.
Reencontrei minhas amigas de Serra Bonita ontem à noite.
Sentamos num banco da praça, comemos pipoca com queijo ralado, e falamos de tudo menos da dor.
Foi como reaprender a viver.
Reaprender a estar com gente, sem carregar a tristeza como um cartaz pendurado no pescoço.
Voltei a escrever poesia.
Ainda tímida, ainda em rascunhos.
Mas os versos voltaram.
Como quem sabe que aqui é casa.
João me trouxe uma flor do mato hoje.
Disse que achou bonita e lembrou de mim.
Não sei explicar, mas aquilo me aqueceu mais que qualquer palavra.
Porque é isso:
estou voltando.
Aos poucos.
Do meu jeito.
Com os cacos remendados e o coração mais firme.
Ainda sinto saudade.
E vou sentir sempre.
Mas agora, a saudade não me paralisa.
Ela me move.
Ela me lembra que eu sou filha de um homem que amou com silêncio, mas com verdade.
E que viver é honrar esse amor.
Hoje, posso dizer:
estou me reconstruindo.
E no meio dessa reconstrução, há flores brotando nas frestas da dor.
Liz
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