Confissões Entre Silêncios capítulo 21
Confissões Entre Silêncios
10 de junho de 2025 – terça-feira, noite silenciosa, alma em transição
Hoje o dia foi cheio de coisas pequenas, mas significativas.
Levantei, arrumei minha cama com calma, preparei um café forte do jeito que meu pai gostava e respirei fundo antes de sair de casa.
Parece pouco.
Mas pra quem passou dias sem nem ter forças pra levantar, isso é muito.
A terapia ontem mexeu em lugares antigos.
Falamos de abandono, de infância, da sensação de ser invisível.
Do quanto o silêncio pode ferir mais que grito.
Voltei pra casa com a cabeça cheia e o peito exposto.
Mas mesmo assim, dormi em paz.
Porque agora eu sei: não preciso esconder minha dor pra ser amada.
Nem por Deus, nem por ninguém.
Hoje à tarde, Teresa minha vizinha me chamou pra caminhar.
Eu quase disse não.
A vontade de ficar trancada ainda mora em mim, mas tem perdido força.
Respirei fundo e fui.
Andamos pelas ruas de Campo Novo devagarinho.
Teresa ia falando dos pés de acerola florindo, da vizinha que agora cria galinhas, e de como o tempo está mais quente que o normal.
Assuntos simples.
Mas me fizeram bem.
Senti o vento batendo no rosto.
Senti meus pés firmes no chão.
Senti Deus ali — no passo, na escuta, na presença de quem fica ao lado sem precisar dizer muito.
Enquanto caminhávamos, percebi que tenho voltado pra mim não só pelas palavras que escrevo ou pelas orações que sussurro,
mas também por aceitar sair de casa, por ocupar a rua, o corpo, a vida.
Teresa me olhou com carinho e disse:
“Você tá voltando aos poucos, Liz. E isso é bonito de ver.”
Eu sorri.
Porque no fundo eu sabia que ela estava certa.
Ainda estou em terapia.
Ainda oro todos os dias.
Ainda escrevo pra não desabar.
Mas agora, também caminho.
Porque caminhar é isso:
dizer com os pés que ainda há caminho.
E eu quero continuar.
Liz
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