Confissões Entre Silêncios capítulo 01
Confissões Entre Silêncios
13 de maio de 2025 – terça-feira, 23h40
Hoje, decidi te contar quem eu sou.
Sou Lizbela. Ou Somente Liz.
Filha de um homem silencioso, de mãos gastas pelo tempo e pelo trabalho.
Filha do sertão e das palavras.
Sou feita de lembranças que moram na pele, de sonhos que teimam em resistir mesmo quando o mundo aperta.
Tenho vivido dias longos, difíceis de atravessar.
E hoje, especialmente hoje, tudo pareceu ainda mais pesado.
A saúde do meu pai tem oscilado.
E isso me abala mais do que gosto de admitir.
Ele anda frágil, e eu… ando me fingindo forte.
Como se pudesse enganar o tempo, ou esconder da vida o medo que sinto.
Mas é impossível disfarçar o que dói por dentro.
Hoje eu o vi se deitar mais cedo. O corpo, cansado. Os olhos, fundos.
Fiquei ali parada na porta do quarto, querendo dizer mil coisas e não dizendo nada.
Só rezando em silêncio para ele acordar bem amanhã.
Só pedindo, do fundo do peito: “Fica, pai. Fica mais um pouco.”
Esses últimos dias têm sido uma travessia dura.
Tenho estudado, trabalhado, cuidado da casa, seguido com os compromissos…
Mas a verdade é que carrego uma exaustão que não se resolve com sono.
É uma fadiga na alma.
Um peso invisível que me acompanha desde que essa incerteza se instalou.
Tento escrever para aliviar.
Para organizar o caos que me habita.
Mas até as palavras andam tímidas.
Hoje sonhei que andava por uma estrada de terra, e no fim dela havia uma casa antiga.
Lá dentro, meu pai me esperava com um caderno nas mãos.
Ele me entregava o caderno e dizia:
“Escreve tudo, filha. Mesmo que doa. É assim que você vai se curar.”
Acordei com o peito apertado e os olhos molhados.
Talvez seja isso o que estou fazendo agora: tentando me curar palavra por palavra.
Boa noite, diário.
Obrigada por me escutar sem pressa.
Amanhã volto, se o cansaço deixar, se o silêncio permitir.
Liz
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