Confissões Entre Silêncios capítulo 15

Confissões Entre Silêncios
3 de junho de 2025 – terça-feira, fim de tarde morno, cheio de ausências e algumas presenças que aquecem

Hoje parei pra pensar nas pessoas.
Nas que se afastaram.
Nas que eu mesma deixei ir, sem forças pra manter qualquer laço.
E nas que, mesmo de longe, permaneceram.

Nem todo afastamento é por mal.
Aprendi isso com o tempo.
Tem gente que não sabe lidar com a dor dos outros.
Tem gente que some porque a tristeza alheia pesa mais do que estão dispostos a carregar.
E tudo bem.
Doeu no começo.
Mas agora entendo que nem todo mundo tem o chamado de permanecer quando o mundo do outro desaba.

Mas também pensei nas que ficaram.
Nas que, mesmo em silêncio, estavam ali no dia 14.
E principalmente no dia 3.

Sim, o dia 3.
O velório.
O peso daquela manhã.
O cheiro da saudade ainda fresca.
A voz da minha mãe embargada.
E eu, tentando me manter de pé, mesmo com as pernas falhando.

Minhas amigas de Serra Bonita vieram.
Elas cruzaram caminhos difíceis só pra estar ali comigo.
Elas seguraram minha mão.
Organizaram o que eu não conseguia.
Cuidaram de detalhes que nem lembro mais.

Foi uma delas que trouxe água quando vi tudo girar.
Outra que me abraçou por trás quando vi minha mãe se ajoelhar diante do caixão.
Elas não me perguntaram nada.
Elas só ficaram.
E isso valeu mais que qualquer palavra.

Teve também os amigos de longe.
Aqueles que não podiam vir, mas mandaram mensagens sinceras.
“Liz, estou orando por você.”
“Não posso ir, mas meu coração está aí.”
“Conta comigo.”

E sabe…
Eu senti.
Senti cada gesto, cada oração, cada presença invisível.
Deus usou essas pessoas como consolo.
Como resposta às minhas perguntas mudas.

Hoje sei que não estou só.
Mesmo quando parece.
Mesmo quando o telefone silencia.
Mesmo quando a casa escurece.
Há braços invisíveis me segurando.
Há gente que ama mesmo em silêncio.
E há um Deus que vê tudo  até aquilo que ninguém percebe.

Ele tem me sustentado através de vozes, abraços, mensagens, gestos simples.
E mesmo com ausências doloridas, sigo agradecendo pelas presenças que curam.

Liz

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