Confissões Entre Silêncios capítulo 05
Confissões Entre Silêncios
18 de maio de 2025 – domingo, fim de tarde abafado em Campo Novo
Hoje foi um dia em que o tempo andou lento.
O sol parecia pesar sobre as telhas e sobre o peito também.
Ainda estamos em volta dos papéis, das visitas, das vozes que dizem “meus sentimentos” e não sabem da metade do que foi perdido.
O café ficou frio.
As roupas no varal não secaram.
E eu… eu também não.
Passei boa parte do dia olhando para as coisas dele.
A cadeira encostada no canto.
Os chinelos ao lado da rede.
O copo de alumínio que ele usava.
Tantas presenças pequenas que agora doem como ausências imensas.
Minha mãe tenta se ocupar como se a rotina pudesse disfarçar o buraco.
Mas os olhos dela…
os olhos dela andam molhados mesmo quando não choram.
E isso me quebra de um jeito que não consigo descrever.
Eu tentei escrever mais cedo, mas não consegui.
As palavras se recusavam a sair.
Pareciam querer respeitar o luto.
Às vezes, me pego lembrando de momentos simples.
Do jeito que ele chamava meu nome.
Da forma que ele fazia silêncio, mas dizia tudo só com um olhar.
Era com ele que eu sentia que, apesar de tudo, eu ainda tinha um lugar no mundo.
Agora, esse lugar está vazio.
E eu tento me refazer entre os cacos.
Entre o que ficou.
Hoje escrevo com a mão trêmula, mas com o coração decidido:
vou viver por ele também.
Pela história dele.
Pelo amor que me deu.
Pelo silêncio que agora carrego.
Liz
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