Confissões Entre Silêncios capítulo 11

Confissões Entre Silêncios
30 de maio de 2025 – domingo, noite quente e cheia de lembranças

A casa está mais quieta do que nunca.
Mesmo com gente entrando, saindo, falando baixo pelos cantos…
É um silêncio que vem de dentro.
Da alma.
Do que se perdeu.

Hoje à noite, enquanto minha mãe cochilava no sofá, eu sentei no chão do quarto e chorei de novo.
Chorei pelo que não disse.
Pelo que eu nunca vou ouvir dele de novo.
Pelo abraço que não consegui dar na pressa daquele dia.
Pelo “fica, pai” que sussurrei tarde demais.

Tenho pensado muito no tempo.
Como ele passa sem aviso.
Como a gente acredita que sempre vai ter mais um domingo.
Mais um almoço.
Mais um “até amanhã”.

E agora eu tenho só o depois.
O depois dele.
O depois do mundo como eu conhecia.

Tem horas em que me bate um desespero mudo.
Como se eu não soubesse mais quem sou sem ele aqui.
E tem outras em que eu respiro fundo e sinto ele em mim no meu jeito de observar as pessoas,
na paciência que ele me ensinou,na forma como eu escuto mais do que falo.

Ele ainda está aqui.
Nas minhas mãos.
Na minha escrita.
Nos meus olhos.

Mas dói.
Dói tanto.

As pessoas dizem que o tempo cura.
Talvez cure mesmo.
Mas hoje, o que me mantém viva não é o tempo.
É a lembrança.
É a escrita.
É esse diário.

É poder vir aqui e dizer:
Pai, hoje eu sobrevivi mais um dia sem você.
E amanhã eu tento de novo.

Liz

#ConfissõesEntreSilêncios #18DeMaio #LutoÉTodoDia #EscrevendoParaViver #PaiEmMim #MemóriaPresente #CampoNovo #ResistênciaComLágrimas #LizAindaAqui


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

LIVRO ENTRE PALAVRAS E SILÊNCIOS - A EDIÇÃO FÍSICA TRAZ NOVOS CAMINHOS POÉTICOS

CRÔNICA- O TEMPO ENTRE SILÊNCIOS E GRITOS

Sinopse – Diário Confissões Entre Silêncios 00