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QUEM SOU EU?

Sinopse – Diário Confissões Entre Silêncios 00

Sinopse Confissões Entre Silêncios Liz escreve para não se afogar. Escreve porque o mundo que a cerca desmoronou de repente levando seu pai, sua estrutura, seus pilares. Mas o que parecia ser o fim, torna-se travessia. Neste diário cru, íntimo e repleto de fé, acompanhamos os dias de luto, solidão, memórias e reconstrução de uma mulher que aprendeu a sobreviver entre silêncios. A cada página, ela revela feridas antigas da infância marcada pelo abandono, da adolescência envolta em rejeições, da vida adulta atravessada por inseguranças, mas também a fé que renasce em meio às ruínas. Confissões Entre Silêncios não é só sobre dor. É sobre recomeços. Sobre quando a alma diz “basta” e a esperança sussurra: “ainda não acabou”. Sobre a poesia que escapa das rachaduras, o cuidado que vem de onde menos se espera, e a presença de Deus mesmo nos dias em que não conseguimos orar. Este diário é um testemunho de que é possível cair e ainda assim levantar com dignidade. Porque onde habita a fé, o silê...

Confissões Entre Silêncios capítulo 26

Confissões Entre Silêncios 15 de junho de 2025 – domingo, noite de culto, alma rendida em silêncio Hoje fui ao culto. Com o coração calado, os passos firmes e o véu dobrado como quem leva consigo mais do que um tecido: levei minha história, minha dor, minha vontade de continuar. Cheguei cedo. A congregação ainda estava meio vazia, mas o ambiente já transbordava paz. Sentei num banco mais ao fundo, como quem ainda não sabe se pertence, mas deseja muito permanecer. A irmã Liane chegou pouco depois. Cumprimentou com o olhar, ajeitou o banco do órgão com a calma de quem sabe que está ali a serviço de algo maior. E quando ela começou a tocar… Foi como se cada nota abrisse uma fresta dentro de mim. Me senti acolhida. Me senti ouvida, mesmo sem ter dito palavra. O culto foi simples. Nenhuma profecia, nenhum acontecimento extraordinário. Mas houve Palavra. Palavra certa. Daquelas que não precisam de grito nem de gesto pra atravessar. Falava sobre o tempo de Deus. Sobre a espera. Sobre o cuidad...

Confissões Entre Silêncios capítulo 25

Confissões Entre Silêncios 14 de junho de 2025 – sábado, véspera de culto e coração em preparo Acordei cedo, mesmo sem despertador. O corpo ainda sente o peso dos dias, mas a alma… a alma parece mais desperta. Talvez porque amanhã tem culto. E só de pensar nisso, já começo a me organizar por dentro. Lavei a roupa que vou usar. Escolhi algo simples, mas limpo, com cheiro de sabão fresco e cuidado. Separei o véu   dobrado com carinho, como se cada linha dele carregasse parte da minha entrega. Passei boa parte da manhã limpando a casa. Não porque alguém vem. Mas porque aprendi que quando a gente prepara o espaço externo, também vai acalmando o que mora por dentro. Enquanto varria, fui orando baixinho, em pensamento: “Senhor, prepara também meu coração.” A tarde foi silenciosa. Li um pouco da Bíblia, escrevi algumas anotações no caderno da terapia, e sentei à sombra pra ouvir o vento. Campo Novo anda mais quente ultimamente, mas hoje teve uma brisa mansa — dessas que parecem respo...

Confissões Entre Silêncios capítulo 24

Confissões Entre Silêncios 13 de junho de 2025 – sexta-feira, dia comum entre vozes e silêncios Hoje o dia correu sem pressa. Enquanto o bairro inteiro se agitava com as simpatias de Santo Antônio, eu preferi o silêncio da casa e a paz do meu canto. Foi no meio da tarde que João apareceu. Bateu no portão, tranquilo, como quem já conhece a rotina e respeita meu tempo. “Liz, tu tem um pendrive aí sobrando? Tô tentando formatar o Windows lá e não tô conseguindo dar boot de jeito nenhum.” Abri a gaveta onde guardo as coisas de informática e achei o bendito pendrive, meio velho, mas funcionando. “Esse aqui ainda serve, só cuida que tem uns arquivos meus aí dentro — nada demais, só textos e anotações da faculdade.” Ele agradeceu, disse que ia fazer o serviço e devolver assim que terminasse. Conversamos uns cinco minutos sobre computador, vírus, e o quanto essas atualizações do sistema complicam mais do que ajudam. Depois ele foi. Sem demoras, sem assunto demais. Só o necessário. E foi bom as...

Confissões Entre Silêncios capítulo 23

Confissões Entre Silêncios 12 de junho de 2025 – quinta-feira, Dia dos Namorados, mas o que floresceu hoje foi amor-próprio Hoje foi Dia dos Namorados. As vitrines estavam cheias de corações, frases prontas e presentes embrulhadas em papel metálico. E, por um instante, me senti deslocada. Sozinha. Vazia. Mas foi só por um instante. Depois veio a verdade — serena, firme, como a brisa que entra pela fresta da porta quando a casa está em silêncio: eu tenho aprendido a me amar. E isso, pra mim, vale mais do que qualquer presente com laço. Não recebi flores. Não fui a nenhum jantar. Mas caminhei comigo mesma. Fui à feira, comprei manga verde com sal e rabisquei um poema no verso de um caderno antigo. No meio da tarde, Teresa passou aqui. Não tocou no assunto da data. Ela só trouxe um pedaço de bolo de fubá e disse: “Tá quente, cuidado pra não queimar a língua.” Sentei com ela no batente da cozinha e conversamos sobre coisas da vida: plantas, contas, chuva e saudade. E foi aí que percebi exi...

Confissões Entre Silêncios capítulo 22

Confissões Entre Silêncios 11 de junho de 2025 – quarta-feira, fim de tarde úmido, passos firmes no chão molhado Hoje choveu em Campo Novo. Chuva fina, daquelas que parecem lavar o ar e, de certo modo, também a alma. Fiquei observando as gotas escorrerem pela janela e pensei: quantas vezes eu também escorri em silêncio, sem ninguém ver? Mas agora… agora estou aprendendo a ser vista. Não com gritos, não com exagero. Com verdade. Com presença. Com fé. Fui caminhar com Teresa de novo. Ela bateu palma no portão, sorriu e disse: “Não vai me deixar sozinha hoje, viu?” E eu não deixei. Vestimos nossas blusas leves, enrolamos o cabelo e seguimos pela estrada de barro. Dessa vez, andamos mais longe. Conversamos pouco. Teve mais silêncio entre uma curva e outra. Mas foi um silêncio bom, cheio de respeito. Coração com coração, lado a lado, sem precisar explicar. Lá na frente, perto do riacho, ela parou e apontou um pé de flor: “Essa aí nasceu depois da seca. Não tinha nada. Só rachadura no chão. ...

Confissões Entre Silêncios capítulo 21

Confissões Entre Silêncios 10 de junho de 2025 – terça-feira, noite silenciosa, alma em transição Hoje o dia foi cheio de coisas pequenas, mas significativas. Levantei, arrumei minha cama com calma, preparei um café forte   do jeito que meu pai gostava   e respirei fundo antes de sair de casa. Parece pouco. Mas pra quem passou dias sem nem ter forças pra levantar, isso é muito. A terapia ontem mexeu em lugares antigos. Falamos de abandono, de infância, da sensação de ser invisível. Do quanto o silêncio pode ferir mais que grito. Voltei pra casa com a cabeça cheia e o peito exposto. Mas mesmo assim, dormi em paz. Porque agora eu sei: não preciso esconder minha dor pra ser amada. Nem por Deus, nem por ninguém. Hoje à tarde, Teresa   minha vizinha me chamou pra caminhar. Eu quase disse não. A vontade de ficar trancada ainda mora em mim, mas tem perdido força. Respirei fundo e fui. Andamos pelas ruas de Campo Novo devagarinho. Teresa ia falando dos pés de acero...

Confissões Entre Silêncios capítulo 20

Confissões Entre Silêncios 9 de junho de 2025 – segunda-feira, manhã cinza, mas com raízes firmes Mesmo com tudo que Deus tem feito em mim, mesmo com os sorrisos tímidos que voltaram, mesmo com a paz que senti no culto de ontem, eu ainda estou em terapia. E não é contradição. É cuidado. É entender que fé e saúde mental não se anulam  se completam. Porque tem coisas que Deus cura no espírito, e outras que Ele cuida através de mãos humanas. Hoje fui à sessão como tenho ido toda semana. Entrei na sala com o coração mais calmo, mas com a alma ainda costurada por dentro. Falei do meu pai. Falei da igreja. Falei do medo de me apegar às coisas boas e perdê-las de novo. Minha terapeuta me escutou como sempre: com acolhimento e silêncio respeitoso. Ela não apaga minha dor. Mas me ajuda a entender como ela se movimenta dentro de mim. E me ensina, com delicadeza, a deixar que ela exista — sem deixar que ela me engula. Falei sobre João. Sobre o quanto ele me ajuda sem me pressionar. Sobre a fo...

Confissões Entre Silêncios capítulo 19

Confissões Entre Silêncios 8 de junho de 2025 – domingo, manhã de céu aberto e alma rendida Hoje amanheci mais leve. Não sei explicar bem. Não é que a dor tenha desaparecido  ela ainda mora em mim. Mas agora, ela não comanda meus passos. Agora, quem guia é a fé. Acordei antes do sol nascer, sentei na beirada da cama e respirei fundo. Deus estava ali. Não em voz alta, não em milagre espetacular. Mas no ar, no silêncio da casa, no peito que pela primeira vez em muito tempo, não doía ao respirar. Peguei minha Bíblia e li um salmo. “Ele sara os quebrantados de coração e lhes ata as suas feridas.” Fiquei olhando aquela frase como quem olha um espelho. Era isso. Eu sou essa ferida sendo costurada, ponto por ponto, pela mão de Deus. Minha mãe percebeu que algo mudou em mim. Me olhou durante o café da manhã e disse: “Você tá com os olhos mais claros, minha filha.” Eu sorri. Porque ela não estava falando da cor. Estava falando da alma. No culto da noite, eu fui com o coração cheio. Sentei u...

Confissões Entre Silêncios capítulo 18

Confissões Entre Silêncios 7 de junho de 2025 – sábado, fim de tarde dourado e cheio de reflexão Depois de ontem, acordei diferente. Como se algo tivesse se reorganizado por dentro. Talvez seja isso que Deus faz quando a gente se entrega: Ele ajeita o que o mundo bagunçou. O aniversário passou como um sopro leve, íntimo, sem exageros. Mas hoje, o que ficou foi o eco da escolha: a escolha de continuar. Sentei na varanda com minha mãe pra tomar café. Ela falou pouco, mas me olhou como quem entende. Como quem também já precisou renascer depois de perder tudo. Pensei em como esse tempo todo venho buscando respostas, mas Deus tem me dado presença. E isso vale mais. Fui à congregação de novo. Sim, pela segunda vez  e dessa vez com menos medo, menos vergonha, mais vontade. Entrei sozinha. João já estava lá, no segundo banco. Ele me viu, sorriu com os olhos e continuou quieto. Do jeito certo. Do jeito que respeita meu tempo. Sentei mais à frente hoje. Abri o hinário. Li cada palavra como q...