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Confissões Entre Silêncios capítulo 06

Confissões Entre Silêncios 19 de maio de 2025 – segunda-feira, céu parado, sem pressa de passar Hoje amanheci com o rosto colado no travesseiro e o coração num lugar que nem sei nomear. Dormi mal. Sonhei com ele. No sonho, ele me olhava firme e dizia “não se entrega, Liz”. Acordei com o peito rasgado, como se o sonho tivesse sido mais real que tudo o resto. A casa continua cheia de ausências. Tudo que era comum agora parece estranho. Até os barulhos mudaram. O relógio parece mais alto. As vozes parecem mais distantes. O tempo, mais pesado. Minha mãe hoje ficou sentada por horas na varanda, olhando pro nada. Não disse uma palavra. E eu respeitei. Porque às vezes, o que a gente mais precisa é de alguém que fique em silêncio com a gente. Estive ali, ao lado dela, só respirando. É estranho como o mundo lá fora continua. Gente rindo na rua, carro passando, crianças correndo. E aqui dentro, tudo parou. Parou com ele. Parou no dia 14. Fui até o quarto dele. Sentei na cama que ainda tem o chei...

Confissões Entre Silêncios capítulo 05

Confissões Entre Silêncios 18 de maio de 2025 – domingo, fim de tarde abafado em Campo Novo Hoje foi um dia em que o tempo andou lento. O sol parecia pesar sobre as telhas e sobre o peito também. Ainda estamos em volta dos papéis, das visitas, das vozes que dizem “meus sentimentos” e não sabem da metade do que foi perdido. O café ficou frio. As roupas no varal não secaram. E eu… eu também não. Passei boa parte do dia olhando para as coisas dele. A cadeira encostada no canto. Os chinelos ao lado da rede. O copo de alumínio que ele usava. Tantas presenças pequenas que agora doem como ausências imensas. Minha mãe tenta se ocupar  como se a rotina pudesse disfarçar o buraco. Mas os olhos dela… os olhos dela andam molhados mesmo quando não choram. E isso me quebra de um jeito que não consigo descrever. Eu tentei escrever mais cedo, mas não consegui. As palavras se recusavam a sair. Pareciam querer respeitar o luto. Às vezes, me pego lembrando de momentos simples. Do jeito que ele chamav...

Confissões Entre Silêncios capítulo 04

  Confissões Entre Silêncios 17 de maio de 2025 – sábado, noite úmida de lágrimas contidas Eu já quis morrer. Mais de uma vez. E não era drama. Era dor. Era aquele tipo de silêncio que grita por dentro, aquele vazio que ninguém vê, mas que engole tudo. Teve uma época em que acordar era um castigo. Levantar da cama doía mais do que qualquer ferida aberta. Eu me perguntava: “Pra quê continuar se tudo machuca, se tudo pesa, se nada faz sentido?” Os pensamentos suicidas vinham sorrateiros. Primeiro como um sussurro, depois como grito. “Acaba logo com isso. Ninguém vai sentir falta.” E eu, cansada de ser forte o tempo todo, cansada de fingir sorrisos, comecei a acreditar. Só que eu não queria morrer. Queria só que a dor parasse. Queria descansar de mim, do peso da minha história, do eco das ausências, da ferida de não me sentir suficiente. Mas aí veio a maior dor de todas. Perder meu pai. E pela primeira vez, entre tudo que desabou, eu senti vontade de viver. Sim...

Confissões Entre Silêncios capítulo 03

  Confissões Entre Silêncios 16 de maio de 2025 – sexta-feira, céu nublado por dentro Hoje, tento manter a cabeça erguida. Organizar papéis, atender chamadas, cuidar de tudo que precisa ser resolvido quando o mundo desaba. Tento ser forte, mesmo quando tudo dentro de mim quer deitar e chorar até o tempo passar. Mas tem algo que preciso dizer. Algo que talvez ninguém saiba direito. Algo que sou eu. Sou Liz. E minha história parece costurada de tragédias silenciosas. Fui adotada ainda bebê. Minha família paterna nunca me quis. Minha mãe biológica… Ela tentou. Mas não pôde. Já tinha minha irmã com dois anos, e comigo e meu irmão seríamos três. Três filhos para um colo só. Meu irmão nasceu morto. Eu nasci cheia de problemas de saúde. Sempre brinquei que nasci com "defeito de fábrica", como se fazendo graça eu pudesse esconder a dor de existir fora do padrão, fora do esperado. Não cresci com minha irmã. Não sei como é ter laços de sangue que crescem juntos. A ...

Confissões Entre Silêncios capítulo 01

Confissões Entre Silêncios 13 de maio de 2025 – terça-feira, 23h40 Hoje, decidi te contar quem eu sou. Sou Lizbela. Ou Somente Liz. Filha de um homem silencioso, de mãos gastas pelo tempo e pelo trabalho. Filha do sertão e das palavras. Sou feita de lembranças que moram na pele, de sonhos que teimam em resistir mesmo quando o mundo aperta. Tenho vivido dias longos, difíceis de atravessar. E hoje, especialmente hoje, tudo pareceu ainda mais pesado. A saúde do meu pai tem oscilado. E isso me abala mais do que gosto de admitir. Ele anda frágil, e eu… ando me fingindo forte. Como se pudesse enganar o tempo, ou esconder da vida o medo que sinto. Mas é impossível disfarçar o que dói por dentro. Hoje eu o vi se deitar mais cedo. O corpo, cansado. Os olhos, fundos. Fiquei ali parada na porta do quarto, querendo dizer mil coisas e não dizendo nada. Só rezando em silêncio para ele acordar bem amanhã. Só pedindo, do fundo do peito: “Fica, pai. Fica mais um pouco.” Esses últimos dias têm sido uma ...

LIVRO ENTRE PALAVRAS E SILÊNCIOS - A EDIÇÃO FÍSICA TRAZ NOVOS CAMINHOS POÉTICOS

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DISPONÍVEL:  ENTRE PALAVRAS E SILÊNCIOS A literatura é um refúgio para os sentimentos que transbordam e, ao mesmo tempo, para aqueles que insistem em se esconder nas entrelinhas da vida. "Entre Palavras e Silêncios" já nasceu como um livro carregado de emoções e agora, na edição física, ele ganha ainda mais profundidade com dois novos capítulos inéditos! Se você já se encantou com a versão digital, vai se surpreender com essa nova edição, onde os versos se expandem, trazendo reflexões ainda mais intensas sobre amor, memórias, saudade e recomeços. O que esperar dessa nova versão? ✨ Dois capítulos inéditos. Uma extensão natural do universo poético do livro, oferecendo novas camadas de interpretação e sentimentos. ✨ Um mergulho mais profundo. Mais palavras, mais silêncios, mais nuances da vida capturadas em versos. ✨ A experiência tátil da poesia. Sentir as páginas, sublinhar os trechos que tocam a alma, levar consigo as palavras para onde quiser. Essa versão física não é apenas...

EBOOK ENTRE PALAVRAS E SILÊNCIOS: DISPONÍVEL NA AMAZON

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 E ntre Palavras e Silêncios: Versos que Ecoam na Alma A poesia pode tocar o mais profundo da alma, revelando sentimentos que, muitas vezes, não conseguimos expressar. Meu livro Entre Palavras e Silêncios é um convite para essa jornada, onde as palavras se tornam refúgio, espelho e guia. ✨ Trechos Selecionados: 💫 Entre Suspiros "Entre suspiros e olhares, O amor dança em segredo, Nas linhas de versos suaves, Desliza sem medo." 🌙 Noites de Setembro "Sob a lua de setembro, Dois corações se encontram, Na leveza de um momento, Os sonhos se desencontram." 🖤 Sussurros na Escuridão "Na escuridão que envolve, Ouço sussurros sem fim, Vozes que o tempo devolve, Em um canto de marfim." 🌻 Florescer no Caos "Mesmo no caos da vida, Há flores que se abrem, Em meio à luta sofrida, São elas que nos cabem." 🔮 Abismo de Silêncio "Olho ao fundo do abismo, E o silêncio é o que vejo, Um espaço sem batismo, Onde repousa o desejo." Cada poema é um fragment...

CONTO: O SILÊNCIO QUE GRITAVA DENTRO DELA

 C ONTO: O SILÊNCIO QUE GRITAVA DENTRO DELA  Marta nunca foi de muitas palavras. Desde pequena, sua mãe dizia que ela tinha “alma de silêncio”. Preferia observar do que participar, sentir do que dizer. Mas ninguém sabia que dentro dela havia uma tempestade, um mar revolto de palavras que nunca foram ditas. Na infância, aprendeu que falar demais era perigoso. “Criança quieta vive mais”, repetia sua avó, e Marta acreditava. Engoliu choros, sufocou gritos, calou segredos. O tempo passou, e ela se tornou adulta carregando o peso das palavras que nunca saíram. Até que um dia, algo mudou. Foi numa manhã de abril, quando encontrou um caderno velho entre os livros esquecidos na estante da sala. Folheou as páginas e, como se alguém guiava sua mão, começou a escrever. No começo, timidamente. Depois, como se as palavras estivessem presas há anos e, agora, precisassem escapar. “Sinto falta da menina que fui. Aquela que sonhava sem medo. Aquela que queria ser escritora, mas teve medo de nã...

QUEM SOU EU?

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 QUEM SOU EU? Sou Ana Luclécia da Silva Santos, uma contadora de histórias, tecelã de memórias e exploradora incansável das palavras. Nascida no sertão alagoano, carrego em minha escrita a força da oralidade e o pulsar da memória, transformando sentimentos e vivências em poesia e reflexão. Autora dos livros Entre Palavras e Silêncios (2024) e Ecos dos Desejos (2024, a ser lançado), transito entre o lirismo delicado e a intensidade do desejo, escrevendo sobre amor, introspecção e os mistérios que habitam o humano. Cada verso e cada linha que escrevo são convites para mergulhar em emoções profundas e histórias que ecoam em nós. Tenho um olhar atento para a oralidade, a memória e as narrativas que resistem ao tempo. Além da literatura, estou expandindo minha escrita para a redação, revisão e produção de conteúdos técnicos e educacionais, visando transformar palavras em pontes para o conhecimento e a conexão. Recentemente, minha poesia cruzou novas fronteiras no I Concurso Petrobras Ca...

Poesias

Destino Escrito Te vi na esquina de um sonho qualquer, sorriso leve, olhar de verão. O tempo parou sem nenhum porquê, mas no peito bateu a canção. Teus passos guiavam meu rumo incerto, como se o mundo soubesse o final. Tão perto de mim, mas longe, disperso, fomos pedaços de um bem e um mal. Se o destino nos quis, por que fugimos? Talvez a vida precise ensinar, que o amor verdadeiro, quando o sentimos, não há tempestade que possa apagar. E se um dia, por obra do acaso, nos olhos teus eu me encontrar, juro que apago os traços do atraso e deixo a história recomeçar. Noite de Ausência A lua brilha, mas nada ilumina, pois falta o brilho do teu olhar. A noite é fria, vazia e ferina, saudade insiste em me sufocar. O tempo passa e me arrasta com ele, mas tua ausência não deixa seguir. Nos corredores escuros da pele, há rastros teus a me consumir. As velhas cartas que nunca enviaste são folhas soltas que o vento levou. E as tantas preces que um dia rezaste são ecos mudos do que já findou. Se um...