Confissões Entre Silêncios capítulo 26

Confissões Entre Silêncios
15 de junho de 2025 – domingo, noite de culto, alma rendida em silêncio

Hoje fui ao culto.
Com o coração calado, os passos firmes e o véu dobrado como quem leva consigo mais do que um tecido: levei minha história, minha dor, minha vontade de continuar.

Cheguei cedo.
A congregação ainda estava meio vazia, mas o ambiente já transbordava paz.
Sentei num banco mais ao fundo, como quem ainda não sabe se pertence, mas deseja muito permanecer.

A irmã Liane chegou pouco depois.
Cumprimentou com o olhar, ajeitou o banco do órgão com a calma de quem sabe que está ali a serviço de algo maior.
E quando ela começou a tocar…
Foi como se cada nota abrisse uma fresta dentro de mim.
Me senti acolhida.
Me senti ouvida, mesmo sem ter dito palavra.

O culto foi simples.
Nenhuma profecia, nenhum acontecimento extraordinário.
Mas houve Palavra.
Palavra certa.
Daquelas que não precisam de grito nem de gesto pra atravessar.
Falava sobre o tempo de Deus.
Sobre a espera.
Sobre o cuidado silencioso d’Ele com os que sofrem em segredo.

Chorei.
Não de tristeza.
Chorei porque me senti alcançada.
Como se Deus tivesse olhado pra mim no meio de todos e sussurrado:
“Eu estou vendo. Eu estou cuidando.”

Na hora da oração, fechei os olhos com força.
E não pedi nada.
Só agradeci.
Pelo dia, pelo ar, pelo banco em que sentei, pelas mãos que me sustentaram quando achei que não tinha mais chão.

Voltei pra casa com o véu dobrado e o coração mais leve.
A rua estava quieta, o céu cheio de estrelas e eu com a alma menos carregada.
Não voltei resolvida.
Mas voltei em paz.

E talvez seja isso que a presença de Deus faz com a gente:
não muda tudo de fora,
mas transforma tudo por dentro.

Liz

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